Petróleo de qualidade em Cuba?
Celino Cunha Vieira (Português)
Miércoles, 03 de Agosto de 2016

Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- Com a recente divulgação do resultado das prospecções que têm sido realizadas, abrem-se novas perspectivas para a extracção em terra de petróleo de alta qualidade em Cuba, estimando-se um potencial inicial de 8,2 mil milhões de barris num campo compreendido entre Cárdenas na província de Matanzas e Motembo na província de Villa Clara, com uma extensão de 2.000 quilómetros quadrados.

Prevê-se que a exploração tenha início no próximo ano através de um consórcio entre empresas Australiana e Cubana, estando já identificadas mais duas zonas que se julga terem o mesmo potencial ou superior, mas que ainda estão em fase de estudo.

O campo agora identificado tinha já sido objecto de exploração a partir dos finais do século XIX até ao início dos anos sessenta do século XX, quando foi selado, e desde há alguns anos tem sido possível extrair junto à costa, entre Havana e Matanzas cerca de 80 milhões de barris anuais de um petróleo pesado, levando à necessidade de o misturar com outro de qualidade para poder ser refinado.

Com a crise que se vive na Venezuela, principal fornecedor de petróleo a Cuba, tem vindo a diminuir essa colaboração, cifrando-se hoje em cerca de 20 milhões, quando antes era superior a 32 milhões de barris anuais, obrigando a recorrer ao mercado internacional a preços inflacionados devido ao criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro dos EUA, que continua a provocar elevados prejuízos a Cuba.

Embora exista uma forte aposta nas energias renováveis por parte das autoridades cubanas, o certo é que o país ainda depende substancialmente dos produtos petrolíferos que têm um elevado peso na economia do país, afectando a manutenção e o desenvolvimento da área social, ao ser obrigado a desviar recursos financeiros para a importação desta matéria-prima essencial.

Se atendermos a que o Estado Cubano continua a garantir gratuitamente aos seus cidadãos a maior parte das necessidades básicas e que a cobrança de impostos ainda não é significativa, mesmo existindo já um sector privado que gera uma economia paralela, percebe-se porque o crescimento do país desceu para metade do previsível, tornando-se urgente a reforma do sistema tributário que não pode continuar a ser o mesmo.

De qualquer modo, confirmando-se a notícia de que Cuba passará a ter o petróleo de que necessita extraído do seu próprio território e em quantidades tais que lhe permita exportar excedentes, pode constituir um virar de página em toda a sua economia e um novo amanhã para todos os cubanos.

Mas, cuidado! Onde há petróleo logo aparecem os abutres para o controlar, seja de que maneira for, e o mundo está carregadinho desses exemplos. Mas estou certo de que Cuba saberá contornar esses obstáculos pela experiência adquirida em mais de meio século de constantes agressões à sua independência e soberania.

 

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