Crianças de Chernobyl
Celino Cunha Vieira (Português)
Viernes, 20 de Mayo de 2016

Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- Passados 30 anos sobre o fatídico dia 26 de Abril de 1986 em que ocorreu na cidade de Chernobyl na Ucrânia o maior acidente nuclear de que há memória, com um impacto superior ao de Fukushima no Japão em 2011, Cuba continua a receber anualmente cerca de 800 crianças ucranianas para serem tratadas dos efeitos nocivos herdados dos seus progenitores que foram expostos directamente às radiações e que passaram para as novas gerações as alterações genéticas causadas por aquela catástrofe que ainda hoje continua a provocar danos irreversíveis.

Para além de doenças menos graves, a maioria das crianças apresentam um quadro clínico com patologias associadas ao cancro da tiróide, leucemia, atrofia muscular, transtornos neurológicos e alopécia (redução total ou parcial de pelos ou cabelos em determinadas zonas da pele).

Cumprindo um programa multidisciplinar, ao longo dos anos já receberam tratamentos em Cuba mais de 26.000 crianças que necessitam de sol e banhos de mar como parte da terapia na aplicação de alguns produtos desenvolvidos pela ciência cubana, como a “melagenina” que ajuda a regenerar a pigmentação da pele e como a “pilotrofina” que facilita o crescimento do cabelo.

O tempo de permanência em Cuba na colónia balnear de Tarará, situada a cerca de 25 km a Leste de Havana, tem variado de acordo com a gravidade das lesões e muitos deles acabam por ficar muitos meses para além dos 45 dias recomendados, até poderem regressar em definitivo ao seu país e às suas famílias. Nos casos mais graves são geralmente acompanhados por um familiar e com a vinda de professores ucranianos têm podido continuar os seus estudos enquanto se sujeitam aos tratamentos.

Em 1992 tive o privilégio de poder visitar estas instalações de Tarará, interagir com algumas crianças e verificar a felicidade estampada naqueles rostos (alguns desfigurados pelas queimaduras, já que os primeiros tinham estado expostos directamente às radiações) mas demonstrando uma enorme vontade de viver, retribuindo com sorrisos o esforço e a dedicação que todos os técnicos de saúde cubanos estavam a fazer para que pudessem ter um futuro e uma vida bem melhor e mais digna.

Imagino que hoje são já os filhos daqueles de 1992 que recebem tratamentos em Cuba, continuando a usufruir das mesmas condições que os seus pais encontraram do outro lado do mundo a mais de 9.000 km de distância das suas casas e que aqui recordo como me sensibilizaram e me mostraram como é possível um mundo melhor.

Quando tantas vezes se fala em direitos humanos, lembro-me sempre destas inocentes crianças que têm sido acolhidas com carinho e com toda a solidariedade de um povo que tem dado provas cabais de estar sempre pronto a ajudar os mais carenciados, contribuindo para que tenham o inalienável direito à existência.

Que bom seria que os exemplos que Cuba dá ao mundo fossem seguidos por outros países que têm muito mais obrigações e capacidade económica para o fazer.

 

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